Dra. Flávia Porcaro Muratori. PSICÓLOGA CLÍNICA. Endereço: Avenida Tiradentes, 585, centro. SÃO JOÃO DEL REI, MG. Telefones: (32) 3371-9178 ou (32) 99924-9178. Atendimentos: Psicoterapia Individual – Psicoterapia de Casal – Psicoterapia de Família – Neurofeedback

Neurofeedback – Games auxiliam no tratamento de doenças – A Tribuna de Santos

logo-tribunadesantos

Games auxiliam no tratamento de doenças

Da Redação

Síssi Pucciariello

O que os jogos podem fazer para melhorar a comunicação entre o corpo e a mente? Muito. Especialistas que trabalham com biofeedback — técnica que estimula o desenvolvimento do auto-controle — apostam na tecnologia como aliada no controle do estresse e no tratamento da ansiedade, hipertensão, insônia, déficit de atenção e até na recuperação de pessoas que sofreram um AVC (Acidente Vascular Cerebral).

Conectados a sensores, os pacientes são levados a um desafio: apenas olhando para a tela do computador, deverão controlar um programa, bem parecido com um game. Enquanto as ondas cerebrais estiverem dentro dos padrões estabelecidos, por exemplo, o paciente marca pontos e pode pilotar um avião ou fazer strike, como em um jogo de boliche.

neurofeedback-treinamento-cerebral

“Ganhar ou se divertir não é o objetivo. O jogo serve para manter o paciente na tarefa”, ressalta a psicóloga Cacilda Amorim, diretora do Instituto Paulista de Déficit de Atenção. Ela diz que esse tipo de ferramenta atrai principalmente os jovens e adolescentes. O tratamento com biofeedback não utiliza somente os games, há vários aparelhos que trabalham juntos. Para cada área, existe um sensor específico, que vai captar a frequência cardíaca, as ondas cerebrais ou a temperatura da pele. Essas informações, após codificadas e ampliadas, são transmitidas para um software de gerenciamento.

A aplicação mais complexa, segundo Cacilda, é a que trata do cérebro. No neurofeedback, uma modalidade do biofeedback, é possível medir as ondas cerebrais, como ocorre com o eletrocardiograma, e treinar a mudança de padrões. Pessoas com dificuldades de atenção e hiperatividade têm excesso de ondas lentas, explica. Nesse momento, os jogos e as telas animadas entram em ação. “Quando as ondas lentas estiverem abaixo do estipulado e as rápidas acima, a música toca ou o paciente consegue marcar pontos”.

Não existe uma recomendação, como ficar calmo ou respirar fundo. Aos poucos, aprende-se a forma correta, conforme constatou a reportagem. “É uma musculação para o cérebro”, resume a psicóloga, acrescentando que, ao longo do tempo, a pessoa se torna capaz de focar e sustentar a atenção de forma voluntária, sem depender de medicamentos.

neurofeedback-tratamento-tdah

De acordo com Cacilda, além de ajudar na cura de patologias, executivos e atletas recorrem a essa técnica para o aumento de performance. Como exemplos, ela cita profissionais que necessitam ser capazes, em uma situação de bagunça, de manter o foco preciso ou aqueles que pretendem diminuir a sonolência ou a ansiedade.

Desde o início do ano, a estudante Maria Amália Cardoso, de 21 anos, faz tratamento para melhorar o foco nos estudos e controlar a ansiedade. “Sou muito desorganizada. Começo a estudar Matemática, não termino e já vou para outra disciplina. E ainda costumo esquecer o que aprendo”. O resultado: ela está no quarto ano de cursinho, tentando uma vaga para a faculdade de Medicina. “No começo achei a técnica estranha, não conseguia ficar muito tempo olhando para o computador”. Após oito sessões, Maria Amália garante que está mais confiante, as notas nos simulados melhoraram e o rendimento também.

O designer gráfico Marcos Akira Fujimoto, de 29 anos, já teve problemas no trabalho e nos estudos por causa da ansiedade. “Sentia uma falta de capacidade, medo de não executar uma tarefa no prazo. Não sabia lidar com a pressão”. Há sete meses foi submetido ao tratamento. Primeiro, aprendeu técnicas para melhorar a respiração e, agora, participa de sessões de neurofeedback. Fã de games de corrida, ele conta que gostou do método. “A animação distrai e você acaba se acalmando. Hoje, tenho um controle melhor e estou mais focado”.

Games auxiliam no tratamento de doenças – Tecnologia cara

Bem difundido nos Estados Unidos e Europa, o biofeedback ainda é pouco usado no Brasil. Um dos motivos é o alto custo dos aparelhos e softwares, além da exigência de uma especialização. “Alguém que pretende trabalhar na área deve investir em torno de US$ 10 mil”, comenta a psicóloga Cacilda Amorim. Ela acrescenta que ter conhecimentos de neurociências e psicopatologias em geral, falar Inglês, fazer cursos no exterior e dominar a informática também são pré-requisitos.

O psicólogo Ivo Oscar Donner, membro da Associação de Psicofisiologia Aplicada e Biofeedback (AAPB) nos Estados Unidos, diz que existem inúmeros fabricantes espalhados pelo mundo, mas a tecnologia mais avançada vem do Canadá. Sobre os programas, ele explica que são como jogos. Existe atualmente até um software com interface que permite controlar qualquer console de videogame.

Quando começou, em 1994, ele lembra que só havia aparelhos dedicados a um tipo de biofeedback, chamados de standalone. Além disso, eram grandes, pesados e o tempo de resposta entre a ação executada pelo paciente e o feedback (resposta), mais longo. “A tecnologia computadorizada ajudou a popularizar e a tornar mais eficiente o método que, hoje, conta com resultados comprovados por estudos muito bem conduzidos em universidades de renome, como a de Montreal, Yale e o Royal College de Londres”.

Profissionais da área

A formação na área de saúde pode ser Psicologia, Medicina ou Fisioterapia, entre outras. “É fundamental para conhecer o processo desencadeado no interior do organismo e na esfera psíquica do paciente”, alerta Ivo Donner. Quanto ao uso somente das aplicações do biofeedback, o psicólogo ressalta que a técnica, em si, não cura. Quem se cura é o paciente, ao utilizar a técnica de maneira adequada, conduzido ou treinado por um profissional qualificado.

“Temos resultados positivos com várias patologias, com destaque para a insônia, cefaléia tensional, fobias, síndrome do pânico, bruxismo (hábito de ranger os dentes) e os distúrbios ansiosos, que apresentam índices de sucesso acima de 80%”. De acordo com a psicóloga Cacilda Amorim, essa técnica oferece resultados a médio e longo prazo.

Cada sessão custa, em média, entre R$ 80,00 e R$ 150,00, dependendo da modalidade. E o número de sessões pode chegar a até 60, por exemplo, para o tratamento de pessoas com déficit de atenção.

O que é Biofeedback

É uma técnica que permite a auto-regulação das funções fisiológicas e cerebrais. Durante os treinamentos, especialistas usam equipamentos e sensores que medem, por exemplo, a pressão sanguínea, os batimentos cardíacos, a temperatura da pele e os padrões elétricos cerebrais (neurofeedback). Softwares, parecidos com games, ajudam o paciente a modificar determinadas ondas cerebrais ou a controlar condições psicológicas ou físicas. O psicólogo norte-americano Neal E. Miller, em meados de 1960, realizou experimentos de condicionamento em camundongos, e notou que eles poderiam ser treinados a controlar voluntariamente suas funções autônomas.

Áreas utilizadas

– Psicologia: tratamento do estresse, distúrbio de déficit de atenção, do pânico, insônia, doenças psicossomáticas; treinamento de relaxamento e de aumento de performance (para atletas e executivos).

– Neurologia: recuperação pós-TCE (traumatismo crânio-encefálico), AVC (Acidente Vascular Cerebral); tratamento da enxaqueca, da cefaléia de tensão e de disfunções neuro-musculares.

– Cardiologia: tratamento da hipertensão essencial e treinamento da variabilidade da frequência cardíaca.

– Fisioterapia: tratamento da incontinência fecal e urinária, dor patelo-femural, pós-operatório do joelho, dor em membro fantasma e dor crônica das costas.

– Odontologia: tratamento do bruxismo (hábito de ranger os dentes), de nevralgia do trigêmeo e de distúrbios da Articulação Temporo-Mandibular (ATM).

– Ergonomia: ajuste ergonométrico em estações de trabalho e consultórios dentários; treinamento em atenção cinestésica no local de trabalho; diagnóstico e prevenção e tratamento das Lesões por Esforço Repetitivo (LER).

A Tribuna de Santos – 02/05/2006

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: